Atividade
Analisar comparativamente as linhas nos 3 gráficos e estabelecer, pelo menos, duas interpretações que estabeleçam diferenças e duas que estabeleçam semelhanças entre os grupos 1 e 2.
“Existe muito mais de nossos pais dentro de nós do poderíamos supor”.
Independentemente do tempo algumas coisas mudam outras apenas se adaptam e mantém uma mesma essência.
A pesquisa referente às infâncias (de nossos alunos e de seus filhos) nos transporta aos dados que podem ser observados através das tabelas e gráficos que estão postados no wiki da turma.
Analisando três itens em especial, posso argumentar a respeito de algumas semelhanças e diferenças entre pais e filhos.
Análise:
· Quanto às brincadeiras e brinquedos que tinham:
Semelhanças: Eterna e companheira a boneca muda de nome e de roupa, mas não de lugar na vida das crianças. Quer seja de pano ou de madeira, plástica ou emborrachada, falante ou muda está lá, entre meninos e meninas de ambas as gerações.
Como prova de que boneca não é coisa só de criança pode-se voltar no tempo e perceber que em 1880 Thomas Edison inventou a primeira boneca falante. Ela dizia 'papai' e 'mamãe'. Puxa, por que logo um grande cientista iria ter tempo de construir uma boneca falante?
O mesmo refere-se aos outros dois “campeões de bilheteria”, os carrinhos e a bola.
E a eterna divisão dos brinquedos de meninos e meninas se desfaz como pó quando pegamos as crianças despercebidamente brincando ora com um brinquedo ora com outro.
Pude perceber uma grande diferença no que diz respeito ao carrinho de lomba e à brincadeira do taco onde os pais citaram de forma significante e as crianças não obtiveram nenhuma citação das mesmas na pesquisa. Creio, pessoalmente, que isto se deve ao fato de que tais brincadeiras não são desenvolvidas nas escolas o que resultaria no desconhecimento das crianças quanto às mesmas. Escrevo isto porque é muito triste perceber que brincadeiras como esconde-esconde, pular corda ou amarelinha são reflexos da escola visto a carga de trabalho que os pais têm hoje vendo os filhos muitas vezes apenas à noite, dividindo a atenção entre as aventuras das crianças e a novela das nove...
O taco bem como carrinho de lomba são brincadeiras fascinantes e geniais que, com certeza, as crianças continuariam brincando muito se tivessem mais oportunidades de aparecer na vida atual.
Fica mais fácil comprar um vídeo-game ou aquele carrinho que faz tudo sozinho. O pai não se cansa, a mãe não recorda; apenas ambos se adaptam às infâncias modernas (e mais solitárias).
Ter ou não ter alguns brinquedos presentes na infância depende principalmente da integração entre as gerações. Claramente observa-se que os Powers Rangers destruíram os brinquedos de sucata numa batalha cheia de violência e parafusos, hehehe. Como concorrer com eles?
· Quanto aos brinquedos que desejavam:
Pode-se perceber nos gráficos que 615 crianças desejam eletrônicos contra 18 pais que, em sua infância, pensavam a mesma coisa. Acredito estar neste dado a grande separação de tempos entre pais e filhos. Hoje um filho pode gravar xingamentos feitos por um pai e usa os mesmos a seu favor! Hoje uma criança leva para sala de aula um celular e fica “conectado” a um mundo que, muitas vezes, nem a professora alcança. Hoje vivemos eternos paradoxos que são marcantes pelo avanço tecnológico, cada vez produzimos mais cópias, mais instrumentos para facilitar a comunicação e temos muito menos entendimento. São tempos difíceis refletidos em pequenos grandes dados como estes que foram sintetizados.
A boneca, a bicicleta e o carrinho sobreviverão, não sabemos como ou de que forma, mas a essência dos mesmos ainda parece ser unanimidade entre pais e filhos, tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.
Comments (3)
eliana said
at 7:53 pm on Aug 13, 2007
Oi, Tatiani! Tudo bem?
Gostei muito de ler tuas considerações sobre a linha de tempo! Que bom que conseguistes realizar a atividade hoje, apesar dos contratempos que me relatastes por e-mail! Valeu! Ao ler o que destacastes como "brincadeiras semelhantes" entre uma geração e outra, senti falta de uma análise maior sobre os possíveis motivos para que "boneca, carrinho e bola" tenham conquistado tanta preferência em ambas as gerações e em ambos os gêneros, conforme apontastes!! Te convido a adensar essa análise!!! Quando mencionas o desaparecimento do "carrinho de lomba" e do "taco" nas brincadeiras das crianças da nossa contemporaneidade, também fiquei me perguntando se isso se deve somente à escola, como apontastes! Se pensarmos a escola a partir da cultura na qual ela se insere/se inscreve, que outras explicações poderíamos buscar para isso? Um beijo e boa semana! Eliana Ventorini (tutora/sede/SI-1)
IrisE said
at 6:20 pm on Aug 14, 2007
Tatiani, querida! Como a Eliana, fico feliz ao ver que conseguiste dar conta das atividades apesar da vida atribulada que tens tido e gostei do teu texto. No entanto, ressalto algo na linha do que a Eliana já ressaltou. Quando temos dados por analisar precisamos nos ater a eles e cuidar para não trazer para a análise coisas "de outro lugar". Dizes, por exemplo: "Fica mais fácil comprar um vídeo-game ou aquele carrinho que faz tudo sozinho. O pai não se cansa, a mãe não recorda; apenas ambos se adaptam às infâncias modernas (e mais solitárias)." Os dados dizem isso?
Consulta a tabela dos brinquedos que as crianças possuem e também as brincadeiras favoritas. Será que vais encontrar crianças solitárias? Compara os números entre a geração atual e a passada em brincadeiras como jogar bola, escode-esconde, pega-pega, andar de bicicleta. Será que corroboram o que dizes? Outro aspecto: ter ou não ter carrinho de lomba, por exemplo, pode estar ligado à existência ou ausência de uma configuração geográfica propícia? Eu não conheço Alvorada, mas fiquei pensando que o sucesso deste tipo de brinquedo está muito ligado à geografia do lugar onde moramos e também à ausência de trânsito, no local propício para esta brincadeira.
IrisE said
at 6:24 pm on Aug 14, 2007
Seguindo... outro aspecto que me fez pensar foi teres colocado que "é muito triste perceber que brincadeiras como esconde-esconde, pular corda ou amarelinha são reflexos da escola visto a carga de trabalho que os pais têm hoje vendo os filhos muitas vezes apenas à noite". Eu fui criada no interior e brinquei MUITO ao ar livre, subi em árvores, andei livremente de bicicleta, tive bonecas compradas e bonecas "fingidas" que eram achas de lenha embrulhadas em panos, brinquei de esconde-esconde, pega-pega, bambolê e assim vai e lembro que todas estas brincadeiras vinham em "ondas" que se espraiavam justamente na escola. Lá descobríamos brincadeiras novas e não lembro nem de professores e nem de pais introduzindo as brincadeiras. Claro que elas passam de geração em geração, mas mesmo na minha época em que as mães ficavam em casa e vivíamos próximos de avós, tias, tios e primos tinhamos a sensação de que nós havíamos descoberto as brincadeiras e de fato conforme o grupo de crianças a mesma brincadeiraapresentava variações locais. Pensa nisso. Abra@os, Iris
You don't have permission to comment on this page.