Questionamentos realizados pelos alunos do 1º ano do ensino fundamental da escola MaurÃcio S. Sobrinho / Alvorada - RS
- Por que a gente ronca?
- Como a gente viaja sem carro?
- Por que a gente tem pesadelos?
- Por que a gente esquece das coisas?
- Por que os anjos vivem no céu?
- Por que as nuvens andam?
- Por que o sol atrapalha os olhos?
- Será que existe a lava nos vulcões ou é só na televisão?
- Como foi quer Jesus ressuscitou?
- Por que a gente chora?
- Por que as borboletas são coloridas?
- Por que a cola gruda as coisas?
- Por que a gente chora quando fica triste?
- Como os anjos nascem?
- Por que a gente fica feliz?
- Por que a gente tem fome?
- Por que existem as letras?
- Como o mundo se criou?
Comentários sobre a atividade:
Num primeiro momento as crianças não sabiam o que ou como perguntar. Como não influenciei na formulação do questionamento percebi que os próprios colegas ajudaram uns aos outros a montar suas perguntas. A partir da primeira pergunta formulada parece que ocorreu um estalo e daà para frente todos queriam saber mais e mais coisas, foi engraçado e ao mesmo tempo curioso perceber que as crianças mesmo tão pequenas desenvolvem raciocÃnios complexos como questionamentos que os adultos muitas vezes desconhecem a resposta, mesmo que ela já exista.
Pergunta selecionada e justificativa:
Resolvi escolher a questão destacada acima: Como foi que Jesus ressuscitou?
Justificativa: O que chamou muito minha atenção foi a colocação da criança e a maneira com que salientou que não queria saber o porquê, mas como isso ocorreu? O fato é que esta pergunta instiga uma reflexão contra tudo aquilo que aprendemos na Biologia onde sabemos da ordem dos acontecimentos e o quão fora dos padrões é a ressurreição de alguém. A partir desta pergunta os pequenos começaram a falar em congelamento e sobre reportagens que vêem na televisão sobre sapos que estavam congelados e aparentemente mortos e que devido à ciência e a tecnologia eles despertam quando descongelados. No caso de Jesus, eles sabem que a época e a diferença tecnológica existe e não conseguem explicar como isto se deu.
Comentários a partir das reflexões da aula presencial:
Apesar de refletirmos sobre a viabilidade de certas perguntas no âmbito escolar creio que não permitir à criança ao menos formular dúvidas de forma filosófica a partir de incertezas e hipóteses que a própria ciência não explica ou não aceita é tolhir o desenvolvimento de sua criticidade. Creio que o professor não necessite desistimular um questionamento de relevância espiritual, como falar em anjos ou seres mÃsticos, basta encaminhar o aluno ao entendimento de que a escola deve suprir suas necessidades e curiosidades sobre a ciência existente e comprovada, mas que sua investigação é válida sim e que, como diz Sheakespeare, há mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor nossa vã filosofia.
Cabe ainda salientar a discussão polêmica a respeito, por exemplo, da FÃsica Quântica e suas formulações sobre as possibilidades e propriedades que aparentemente podem parecer absurdas dentro do contexto social e paradigmático que vivemos. A FÃsica Quântica, ciência que já tem mais de duas décadas de credibilidade, afirma que podemos sim atravessar uma parede... Como? As argumentações e evidências vem sendo apresentadas ao mundo. Agora ainda é complicado entender, mas se for real? Como apenas negar esta possibilidade?
Comments (1)
Beatriz Magdalena said
at 2:10 pm on May 22, 2008
Oi Tai, um primeiro pedido: aumenta a letra porque tua prof quase morre para ler!! De fato, não devemos desitimular perguntas de cunho religioso ou espiritual. No entanto, aceitá-las exige de nós professores um trabalho muito grande no sentido de trabalhar seriamente com elas. O que falamos naquele dia é que perguntas nessa direção, normalmente, tem caráter piramente fantasioso ou baseado no senso mais comum e não podemos deixar que elas permaneçam nesse nível. Dai a dificuldae de trabalhar com perguntas dessa natureza. Gostei muito das tuas reflexões.
Um abração
Bea
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